CRÍTICA: “ARCO” aposta na esperança em vez do apocalipse e entrega uma das animações mais tocantes do ano

Filmes

A animação ARCO, dirigida por Ugo Bienvenu e produzida por Natalie Portman, estreia nos cinemas brasileiros em 26 de fevereiro com distribuição da MUBI e da Mares Filmes. Indicado ao Oscar de Melhor Animação de 2026, o longa combina ficção científica, aventura familiar e uma abordagem visual inteiramente em 2D para contar a história do encontro entre duas crianças de épocas diferentes.

O filme teve estreia mundial na Seleção Oficial de Exibições Especiais do Festival de Cannes e conquistou os prêmios Cristal de Melhor Filme e SACEM de Melhor Trilha Sonora no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy. Com isso, a produção consolidou seu reconhecimento antes mesmo do lançamento comercial.

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Metalinguagem emocional e estética de HQ

É evidente que Bienvenu utiliza sua bagagem como ilustrador de quadrinhos não apenas na estética, mas principalmente no impacto emocional que constrói com o 2D. O resultado impressiona, sobretudo por se tratar de seu primeiro longa-metragem.

A metalinguagem surge como o ponto mais forte da narrativa. O contraste entre história e visual provoca uma sensação quase sinestésica, como se o coração processasse cores em RGB: radiante, genuíno e belo. Essa escolha reforça a proposta sensorial do filme e amplia a conexão com o público.

Além disso, ARCO se distancia de distopias pessimistas comuns na ficção científica contemporânea. Em vez disso, apresenta esperança. O roteiro imagina um futuro em que a humanidade evolui em harmonia com a natureza, mesmo ao mostrar um presente marcado por ausência familiar, tecnologia invasiva e crises ambientais.

Na trama, o jovem Arco viaja acidentalmente para 2075 e conhece Iris, uma menina criada por uma babá robô em um mundo de hologramas e catástrofes naturais. Juntos, eles iniciam uma jornada para levá-lo de volta ao seu tempo. A aventura funciona tanto como fantasia quanto como reflexão sobre pertencimento e desejo.

No fim, ARCO fala sobre manifestar sonhos e testemunhar o impossível acontecer diante dos próprios olhos, ainda que de maneiras inesperadas.

Assista ao trailer:

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