CRÍTICA: O Testamento de Ann Lee impressiona nas sequências musicais extáticas, mas protagonista fica em segundo plano

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Já em cartaz nos cinemas, O Testamento de Ann Lee, dirigido por Mona Fastvold, transforma a trajetória de uma das figuras religiosas mais curiosas do século XVIII em um drama musical de atmosfera espiritual e estética marcante. Protagonizado por Amanda Seyfried, o longa acompanha a fundadora da seita conhecida como Shakers, movimento religioso que pregava igualdade social e cultos baseados em canto e movimentos extáticos.

A narrativa percorre a vida de Ann Lee desde a infância na Manchester pré-industrial até sua imigração para a América do Norte, onde se torna líder espiritual de uma comunidade que buscava construir uma utopia baseada na fé, disciplina e coletividade.

Um filme que se destaca mais pela forma do que pela narrativa

É possível gostar, mas desafiador amar. Os maiores destaques da obra estão, de longe, nas performances coreográficas e musicais, além da atuação impecável de Amanda Seyfried, que entrega uma personagem intensa e fisicamente exigente.

O fio narrativo começa muito bem. A introdução de Ann Lee ao ambiente religioso e sua devoção ao ideal espiritual são construídas de forma sólida e envolvente. No entanto, quando a trama chega ao momento em que ela se torna líder shaker, o roteiro deixa de aprofundar aspectos importantes da própria figura histórica.

Com o foco crescente nos rituais e na estética do movimento, o desenvolvimento dramático da protagonista acaba se diluindo em alguns momentos. A personagem continua interessante, mas a narrativa passa a privilegiar a atmosfera em detrimento da exploração psicológica.

Ainda assim, o filme não perde totalmente sua força graças à presença magnética de Seyfried, que sustenta boa parte do peso dramático da história.

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Música, rituais e uma estética quase hipnótica

Se o desenvolvimento narrativo oscila, o mesmo não se pode dizer da dimensão visual e sonora do filme. As músicas e coreografias criam sequências impactantes, que traduzem os rituais religiosos dos Shakers de maneira bastante expressiva.

Em alguns momentos, essa mistura de devoção coletiva, dança ritualística e atmosfera inquietante chega a lembrar produções como Midsommar, especialmente pela forma como a espiritualidade se transforma em espetáculo visual.

No fim, O Testamento de Ann Lee é um filme interessante e esteticamente ousado. Pode não explorar todo o potencial dramático de sua protagonista histórica, mas compensa com sequências musicais envolventes e uma atuação central poderosa.

Vale conferir, principalmente para quem se interessa por cinema autoral com forte componente visual.

Assista ao trailer:

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