O terror POV: Presença Oculta (Bodycam), dirigido por Brandon Christensen, chega aos cinemas apostando em uma mistura de suspense policial e horror sobrenatural. A produção acompanha dois policiais que tentam encobrir um acidente fatal durante uma patrulha noturna, mas acabam percebendo que algo inexplicável pode ter testemunhado cada passo daquela noite.
Na trama, Bryce, interpretado por Sean Rogerson, entra em pânico após um acidente que ameaça destruir sua carreira e sua vida familiar. Para evitar consequências, ele convence o parceiro a eliminar registros que poderiam revelar o ocorrido. O plano, porém, começa a desmoronar conforme surgem indícios de que as câmeras não foram as únicas testemunhas do caso.
Estética do found footage é o principal destaque
Visualmente, POV: Presença Oculta abraça com convicção o estilo found footage, subgênero conhecido por simular imagens captadas pelos próprios personagens. O filme utiliza ângulos criativos e enquadramentos que reforçam a sensação de registro bruto e improvisado.
Outro ponto interessante é a escolha por apostar mais no terror sensorial do que em sustos fáceis. Em vez de depender de jumpscares constantes, a direção prefere construir tensão por meio de atmosfera, ruídos e a sensação crescente de que algo invisível acompanha os protagonistas.
A narrativa também tenta explorar efeitos psicológicos fora dos cenários tradicionais do terror. Mesmo ambientado durante a noite, o longa trabalha com iluminação variada e espaços abertos, uma decisão incomum dentro do subgênero.
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Personagens dificultam a conexão com o público
Apesar das boas ideias visuais, o filme encontra dificuldades no desenvolvimento dos personagens. A história gira em torno de dois policiais envolvidos em um encobrimento, o que já cria uma barreira inicial de empatia com o público.
Além disso, a construção dramática dos protagonistas pouco evolui ao longo da trama. Os erros que cometem e a forma como lidam com as consequências tornam os personagens mais distantes do espectador, o que enfraquece o impacto emocional do suspense.
Com apenas 1h15 de duração, Bodycam mantém um ritmo relativamente ágil e pode agradar fãs do found footage interessados em experimentos visuais dentro do gênero. Ainda assim, o roteiro assinado por Ryan Christiansen e Brandon Christensen não sustenta totalmente o potencial da proposta.
No fim, trata-se de um terror curto e visualmente curioso. Para quem aprecia o subgênero, a experiência pode valer a pena, mesmo com uma história que permanece superficial.
Assista ao trailer:

Roberto é jornalista e redator especializado em entretenimento e cultura pop. Com 4 anos de experiência na produção de conteúdo para portal de notícias, foca em unir SEO e jornalismo de qualidade para trazer os melhores ângulos factuais sobre música, cinema, séries, games, comportamento e cultura.
