Depois de dois filmes que tentaram renovar a mitologia de Ghostface com uma nova geração, Pânico 7 chegou cercado de expectativa, especialmente pelo retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott. O problema é que, apesar do peso histórico e da promessa de recomeço, o longa tropeça justamente onde a franquia sempre foi mais afiada: no impacto.
Uma cena de abertura que tenta reinventar a fórmula, mas falha
A sequência inicial sempre foi o cartão de visitas da saga criada por Wes Craven. Aqui, a tentativa de inovação é evidente, mas soa forçada, artificial e pouco inspirada. Além da falta de tensão genuína e de construção, os personagens em cena não são nada interessantes. Como consequência, o frio na espinha que marcou a identidade da franquia simplesmente deixa de existir.
É uma abertura que quer ser diferente do que já vimos anteriormente, mas termina fraca.
Curiosamente, o trecho imediatamente após a cena inicial funciona melhor. O filme consegue prender, apresenta conflitos interessantes e cria uma sensação de instabilidade narrativa que instiga o público.
Mas essa força não se sustenta. Ao longo da trama, o ritmo oscila demais e momentos de tensão são interrompidos por trechos que não prendem tanto, e a sensação de urgência, essencial em um slasher, se dilui.
Cenários isolados demais e mortes pouco memoráveis
Outro ponto que pesa contra o longa é a escolha de cenários excessivamente “escultados”, isolados além do necessário. A sensação é de que o filme cria obstáculos artificiais para justificar ataques, em vez de integrar o perigo organicamente à narrativa.
Poucas são as cenas de mortes que realmente interessam. Falta criatividade, falta brutalidade marcante ou minimamente memorável. Mas isso ‘Pânico 7’ seguirá devendo.
Ghostfaces sem carisma e sem impacto
Talvez o maior problema de Pânico 7 esteja nos próprios assassinos. Antes mesmo da revelação, os Ghostfaces já parecem desinteressantes. Não há presença ameaçadora consistente, nem construção psicológica que sustente o mistério. No momento mais esperado, da queda da máscara, o impacto é zero.
A motivação é fraca, descabida e pouco convincente, um dos piores conjuntos de justificativas da franquia. Em uma saga conhecida por brincar com metalinguagem e comentar o próprio gênero, aqui a explicação soa rasa e pouco inspirada.
Vítimas que não fazem falta
Parte da tensão de Pânico sempre veio do apego aos personagens. Quando eles não funcionam, o suspense perde força. Em Pânico 7, muitas vítimas são simplesmente desinteressantes. Falta carisma, falta desenvolvimento, falta aquele vínculo que faz o público torcer, ou temer, por elas.
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Neve continua sendo o coração da saga
Se há algo que funciona de forma consistente, é Neve Campbell. Sidney Prescott segue sendo a âncora emocional da franquia. Sua presença traz gravidade, experiência e uma energia que o restante do elenco não consegue igualar.
Já Gale Weathers, infelizmente, é mal aproveitada. Uma personagem tão icônica merecia mais relevância na trama. Apesar da tentativa de, em alguns momentos, honrar personagens e elementos antigos da franquia, isso não se sustenta no material bruto.
Não é horrível, mas é esquecível
Pânico 7 não é um desastre completo. Ele tem momentos interessantes, boas intenções e tenta se movimentar dentro de uma franquia que já comentou praticamente todas as fases do terror moderno.
No fim, o filme não chega a manchar o legado da saga, apenas ocupa, com folga, uma das posições mais fracas do ranking. E em uma franquia conhecida por reinvenções inteligentes e assassinos memoráveis, isso é quase imperdoável.

Roberto é jornalista e redator especializado em entretenimento e cultura pop. Com 4 anos de experiência na produção de conteúdo para portal de notícias, foca em unir SEO e jornalismo de qualidade para trazer os melhores ângulos factuais sobre música, cinema, séries, games, comportamento e cultura.
