Espetáculo do Coletivo ROOF revisita livremente o clássico de Bram Stoker e transforma o vampiro em símbolo de relações abusivas e controle
E se o maior horror de “Drácula” não estivesse nas presas de um vampiro, mas nas relações humanas? É a partir dessa provocação que o Coletivo ROOF apresenta uma nova versão do clássico de Bram Stoker. O espetáculo estreia em outubro no Espaço Parlapatões, em São Paulo, com uma abordagem voltada a temas como narcisismo, sedução, controle e violência contra a mulher.
Com direção geral e concepção criativa de Bruno Eustáquio, a montagem se inspira livremente na obra de Stoker para retirar o vampiro de seu universo fantástico e colocá-lo diante de conflitos reconhecíveis no cotidiano.
Nesta leitura, Drácula não consegue se reconhecer no espelho. Por isso, depende do outro para sustentar a própria existência. Suas vítimas passam a funcionar como reflexo, extensão e alimento de uma figura que precisa dominar para se sentir completa.
Quando o vampiro vira metáfora para o abuso
A montagem mantém como ponto de partida uma estrutura em que as principais vítimas de Drácula são mulheres. A partir disso, o espetáculo aproxima a violência do universo sobrenatural de questões presentes nas relações contemporâneas.
Objetificação, manipulação, controle e relações abusivas entram no centro da narrativa. O feminicídio também aparece como referência para essa leitura do mito, que busca deslocar o horror da fantasia para uma realidade concreta.
“Nosso Drácula não é apenas uma criatura sobrenatural. Ele representa um homem que precisa do outro como espelho para sustentar a própria existência”, afirma Bruno Eustáquio, diretor geral e responsável pela concepção criativa.
Em cena, sedução e ameaça passam a ocupar o mesmo espaço. O público acompanha um ambiente fechado, no qual a passagem do tempo parece suspensa, enquanto os limites entre desejo, manipulação e violência se tornam cada vez menos definidos.
A proposta também amplia o significado da imagem clássica do vampiro. Em vez de representar somente aquele que suga sangue, Drácula passa a simbolizar quem se alimenta emocionalmente do outro, transforma pessoas em objetos e precisa exercer controle para preservar a própria imagem.
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Um Drácula fora do espelho
A escolha de retirar o personagem de seu território sobrenatural permite ao Coletivo ROOF trabalhar o mito como uma representação de comportamentos humanos.
A figura do vampiro continua associada à sedução e ao poder, mas a ameaça deixa de depender de elementos fantásticos. O que assusta está justamente na possibilidade de reconhecer essas dinâmicas em relações reais.
Com classificação de 18 anos, o espetáculo reúne dez artistas no elenco, além de um ator convidado. A produção também envolve profissionais de diferentes áreas, com trabalhos de direção, coreografia, iluminação, sonoplastia, cenografia, figurino, maquiagem, vídeo e produção.
“Drácula” fica em cartaz de 3 de outubro a 1º de novembro, com sessões aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h.
Serviço
Drácula — Uma produção do Coletivo ROOF
Período: 3 de outubro a 1º de novembro
Sábados: 20h
Domingos: 19h
Local: Espaço Parlapatões, Praça Franklin Roosevelt, 158, São Paulo (SP)
Classificação: 18 anos
Ingressos: Sympla
Produção e realização: Coletivo ROOF

Roberto é jornalista e redator especializado em entretenimento e cultura pop. Com quase uma década de experiência na produção de conteúdo para portal de notícias, foca em unir SEO e jornalismo de qualidade para trazer os melhores ângulos factuais sobre música, cinema, séries, games, comportamento e cultura.
