Streaming vira peça-chave para retenção e receita dos provedores de internet, dizem especialistas na Abrint

Comportamento

O avanço do mercado de streaming mudou o papel dos provedores regionais de internet no Brasil. Durante painel realizado nesta semana na Abrint, executivos do setor defenderam que o conteúdo deixou de ser apenas um benefício adicional e passou a ocupar posição estratégica na retenção de clientes e no aumento da rentabilidade dos ISPs.

O debate reuniu Maurício Almeida, presidente da Watch Brasil, Stella Maris Medeiros, conselheira da Abinto, Sergio Mancera, CEO da Nxplay, e Yassue Inoki, presidente da Abbots. A mediação ficou por conta de Ricardo Minari, da Abbots.

Fim da “guerra dos megas” pressiona setor

Segundo os participantes, o mercado de banda larga fixa entrou em uma fase de maturidade em que velocidade já não funciona como principal diferencial competitivo. Para Maurício Almeida, a disputa baseada apenas em quantidade de megas perdeu força diante de um cenário em que o consumidor enxerga um limite de preço próximo aos R$ 100 mensais.

Nesse contexto, o streaming passa a atuar como ferramenta de diferenciação para os provedores regionais, transformando o serviço de internet em um ecossistema mais amplo de entretenimento e serviços digitais.

Além da retenção, os especialistas apontaram que o streaming ajuda a reduzir o churn, indicador que mede o cancelamento de assinaturas, ao aumentar a percepção de valor do pacote contratado.

Dados viram ativo estratégico dos ISPs

Outro ponto central da discussão foi o uso de inteligência de dados para monetização. Plataformas de streaming permitem mapear hábitos de consumo e preferências dos usuários, criando oportunidades para ofertas mais segmentadas e estratégias de publicidade digital.

Segundo Almeida, modelos com múltiplos perfis familiares geram informações valiosas para que provedores criem pacotes personalizados e ampliem receitas com soluções de AdTech.

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Os executivos também citaram o crescimento do streaming pirata como um desafio relevante para o setor. Estima-se que cerca de 6 milhões de lares brasileiros utilizem plataformas ilegais de conteúdo. Nesse cenário, os provedores apostam na oferta integrada de serviços oficiais, incluindo plataformas como HBO Max, Globoplay, Telecine e ESPN, associando conveniência e segurança digital.

Ao fim do painel, o consenso entre os participantes foi de que o provedor que permanecer restrito à infraestrutura corre o risco de se tornar invisível para o consumidor em um mercado cada vez mais orientado por experiência e serviços agregados.

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